Na Tua Igreja, ó Cristo!, encontramos o valor divino do humano.

sábado, 7 de agosto de 2010

Ecclesiam Tuam (36 a 40)


36/10   Já foi observado que Esaú não se arrependeu de ter vendido a progenitura, mas de a ter perdido; não tinha pena do pecado da venda, mas do prejuízo da perda. Por isso, a sua penitência não foi aceite, visto que não era justa e com  emenda.

37/10   Segundo o pedido petrino, juntemos a nossa fé à virtude; à virtude a ciência (isto é, o conhecimento e a intimidade constante com Deus com o comportamento correspondente, a sabedoria numa palavra);  à ciência o domínio de si mesmo (temperança); ao domínio de si mesmo a constância (fortaleza); à constância a piedade; à piedade o amor aos irmãos; ao amor aos irmãos a caridade.

38/10   A verdadeira vida contemplativa conduz a alma a esquecer-se de si mesma para se  dedicar amorosamente a todos os seus semelhantes.

39/10   É bonita a ideia de orientar toda a nossa vida para Deus e para a imagem multiplicada d’Ele que são as pessoas que nos rodeiam.

40/10   Jesus curvado para o solo, escrevendo na areia, enquanto a mulher adúltera é acusada pelos fariseus pode ser um gesto destinado a estabelecer a calma e a serenidade ao alvoroço dos falsos cumpridores. Mas também já foi sugerido que Jesus evoca-se a passagem sagrada que diz: “Quantos se afastarem de ti serão como inscritos no pó, porque abandonaram a fonte da água viva, o Senhor” (Jer 17, 13, na Neo-Vulgata: “Exspectatio Israel, Domine, omnes, qui te derelinquunt, confundentur, recedentes a te in terra scribentur, quoniam dereliquerunt venam aquarum viventium, Dominum)..

Ecclesiam Tuam (31 a 35)


31/10   É notável que Cristo tenha dito que para entrar no reino dos Céus é preciso, não fazer-nos como João Baptista, ou como Ele mesmo, mas como criancinhas.

31/10   Nenhum pecado é maior que a Misericórdia divina. Então porquê desesperar? E, do mesmo modo, que impede o nosso arrependimento sincero?

32/10   É preciso lembrar ao homem peregrino que a oração cristã se fundamenta nas três virtudes cardeais?

33/10   A prática do jejum, de que não passou ao lado o encontro ecuménico de Assis (2001), tem a ver com o passado, o presente e o futuro. Com o passado, levando a reconhecer as culpas contra Deus e contra os nossos irmãos com que cada um de nós se manchou; com o presente, aprendendo a abrir os olhos para as carências dos nossos semelhantes e para a realidade que nos rodeia;  com o futuro, acolhendo de todo o coração as realidade divinas e renovando, a partir da misericórdia de Deus, a comunhão com todos os homens e com a criação inteira. De este modo sentiremos verdadeiramente a responsabilidade pela missão que cada um de nós tem no mundo.
34/10   Foi muito bem explicado recentemente que a Igreja possui a íntima convicção de que a verdade é sua permanente aliada e de que o conhecimento e a razão são instrumentos idóneos ao dispor da fé.

35/10   Que grande felicidade poder ver em Jesus a filiação divina, que é a verdade de toda a filiação e ver igualmente a filiação humana mais alta, que é a resposta adequada do homem à filiação absoluta...Porque Ele nos persuade a crer e nos ensina a amar...porque ninguém pode chegar verdadeiramente á intimidade com Deus, se não é atraído por Cristo.

Ecclesiam Tuam (26 a 30)


26/10   Nalguns lugares, a tradição popular cristã considera a festa da Anunciação do Senhor como o dia em que nem sequer as aves constroem os ninhos delas, no início da primavera.

27/10   É a oração que mantém o reino de Deus na terra. O povo de Deus é, por definição, um povo de oração. As igrejas cristãs, as famílias cristãs, as almas cristãs são lugares de oração.

28/10   Pela contemplação, a graça, recebida nos Sacramentos, impregna os nossos pensamentos, afectos, a vontade, a inteligência  e a memória. Só depois da vida da graça chegar até à alma  através dos Sacramentos é assimilada pela contemplação. Seguidamente, na medida em que foi assimilada pela contemplação é que se pode exprimir realmente na conduta através das virtudes. A primeira das virtudes é a caridade, a plenitude da graça. Do mesmo modo que não existe acção humana verdadeiramente valiosa que não seja orientada pela inteligência, também não existe autentica virtude cristã, se não nasce da contemplação.

29/10   Ao Santo Padre João Paulo II devemos a inspiração para ultrapassar a incompatibilidade entre diferentes aspectos da existência humana. Incompatibilidade, aliás, nem sempre resultante da realidade, mas da manipulação dela. Assim esta reconciliação entre aparentes opostos, mostra-se no seu magistério: conciliação entre a fé e a razão, o bem e a verdade, a fé e a cultura, a lei humana e a lei divina, o Ocidente e o Oriente, o Norte e o Sul. Sem esquecer todo o seu magistério e exemplo sobre a primazia do espiritual, condição necessária para o cristão alcançar a plenitude da sua vocação divina.

30/10   Senhor, concede-me a graça de não te recusar amanhã aquilo que me pedirdes.

Ecclesiam Tuam (21 a 25)


21/10   Destapou-se a tampa da panela do ódio e os ataques à Igreja subiram de tom nos últimos tempos. O alvo imediato é o papa Bento XVI, mas vê-se como a sua personalidade superior não é mais do que um pretexto para atacar a Igreja Católica com um agressivo anticlericalismo que se julgaria já desterrado da prática social. O ponto de apoio é a situação dramática da descoberta de casos de pedofilia, atribuídos a clérigos. Já se afirma até que se trata do maior pecado. Ou seja, que nesta nova classificação feita à pressa é preciso esquecer o aborto, a eutanásia, o incesto, os pecados contra o Espírito Santo e alguns mais para se poder chegar a esta conclusão. Não nos admiremos, porém, são proclamas que procedem da onda de ignorância e de cegueira que produz o ódio.

22/10   Aproveitando a onda de ódio que os anticlericais de diversas procedências promovem contra a Igreja Católica, muitos outros inimigos da fé cristã atiram também as suas queixas. São os que, chamando-se a si mesmos católicos não praticantes ou mesmo também não somos igreja, gostariam que a Igreja (se não for este papa, vai ser o seguinte, dizem; se não foi o último concílio vai ser o próximo, repetem) autorizasse o divórcio e a comunhão dos recasados; ou não condenasse o aborto e a eutanásia;  são os que desejavam que a doutrina da igreja Católica mudasse e assim fossem aceites as uniões de facto e ordenados padres os homosexuais; aqueles que pretendiam que, como acontece nalgumas comunidades evangélicas, se ordenassem as mulheres e os padres pudessem casar. Enfim, não falta na história do Povo de Deus a repetição cíclica de estas propostas alheias ao património verdadeiro da Igreja Católica.

23/10   Já houve quem se tenha debruçado sobre a semelhança que existe entre o vertiginoso pontificado de João XXIII, cheio de júbilo, de  esperanças e de grandes realizações e o longo pontificado de João Paulo II, pleno de fé, de testemunho e de libertação dos cristãos do totalitarismo marxista. Mas, é igualmente significativa a comparação entre o pontificado de Paulo VI, um papa mártir pela onda de confusão, desobediência à fé e deslealdade à lei de Deus que se instalaram por ocasião do Concílio Vaticano II no seio da Igreja e o actual pontificado de Bento XVI, que começa a ter como seria de prever toda a tonalidade de um papa perseguido pela sua fidelidade a Cristo e à sua Igreja, um pastor autêntico do povo de Deus, que não se cala diante dos falsos pastores que estão dentro da igreja, nem dos lobos que a atacam de fora. Além disso confirma os católicos praticantes na fé, e vai ao encontro num rasgo ecuménico já com grandes resultados dos irmãos separados. E que procura no convívio com as outras grandes religiões contribuir para a paz mundial.

24/10   Católicos não praticantes? A quem seguirão? A Judas ou ao jovem rico? Não certamente a Cristo.  

25/10   A docilidade não é a única resposta do ser humano à experiência da revelação divina. A mais alta descoberta de este evento é certamente a audição, a escuta, que mostra a idoneidade da alma para alcançar o inexplicável. É “um certo” movimento interior na direcção do invisível onde se oculta o sublime divino...

Ecclesiam Tuam (16 a 20)


16/10   Naturalmente que os católicos portugueses esperam com grande expectativa a chegada do papa Bento XVI e preparam a melhor maneira de aproveitar a sua curta presença entre  nós. A grande maioria estará presente nos lugares onde se vão desenrolar os actos de culto para lhe manifestar a sua veneração e carinho, também a sua gratidão pelo serviço petrino. Certamente, não faltarão pequenos grupos, que procurarão  manifestar, também através dos meios de comunicação sempre disponíveis para dar voz a estas minorias “de referencia”, pronunciando-se pela ausência  dos encontros com o Papa, porque no  seu entender se deviam usar os meios económicos e outros que se disponibilizaram para a viagem, para fazer outra igreja, para que eles também pudessem existir.

17/10   Sobre a tolerância de ponto para participar nas cerimónias com o a presença papal neste próximo Maio de 2010, pode ser bom que se verifique que a aproveitam os católicos. Ou seja, é possível que não estão incluídos na decisão governamental os não-católicos, os católicos não praticantes, os muçulmanos, os budistas, etc. Mas se em consciência quiserem assistir certamente que serão bem recibidos

18/10   É de supor que aqueles católicos não praticantes que desaprovam as viagens do Papa não contribuem com as suas posses para que elas se realizem. O que nos espanta é que achem desajustado que aqueles que consideram úteis essas viagens o façam. Lembra a resposta à queixa de alguns não fervorosos de Fátima que não vão lá por que aquilo é um comércio de objectos liturgicos nunca visto, dizem. Dar-se-á, porventura,  o caso que as lojas de objectos liturgicos ganhariam clientes se tivessem à porta um letreiro dizendo: “Não é obrigatório entrar”; sobretudo,” não é obrigatório comprar”?.

19/10   Para muitos observadores a crise da Igreja, ou seja, a falta de compostura cristã de muitos fiéis (hierarquia e fiéis não ordenados que são a maioria) é uma crise de Direito. Ou seja, que quem deve aplicar, com espirito pastoral, a disciplina na Igreja se ausenta, se abstém e se demite da sua função dando lugar a situações de injustiça clamorosa. A entender como boa esta presunção, coloca-se um largo campo para exame de consciência aos portadores de autoridade eclesiástica. Pode ser que um bom curso de reciclagem de direito canónico venha a contribuir para que, no futuro, não se pretenda praticar a doutrina cristã, e a caridade cristã,  à margem da virtude da justiça.

20/10   Para aqueles que não souberam distinguir um deficiente “legalismo” do necessário e pastoral uso do direito na vida da Igreja, os recentes eventos de indisciplina de alguns eclesiásticos pode ser motivador de um maior respeito pela necessidade do estudo e aplicação do direito eclesiástico. A falta de mentalidade jurídica, a falta de conhecimento do papel do direito na vida das sociedades, também na Igreja, tem dados lugar a muitos abusos no nosso tempo.

Ecclesiam Tuam (11 a 15)


11/10   No caso de muitos não católicos, a percepção que têm da doutrina cristã sobre o sexo reflecte a sua carência e incapacidade, teórica e prática, de viver as regras da sã intelectualidade e do respeito pela finalidade da sexualidade humana. Podem, porém, descansar. São coisas que se aprendem, teórica e praticamente , com uma boa educação familiar.

12/10   Como é sabido, foi sobre os ombros do grande papa Paulo VI que caiu, em sucessivas avalanches, o peso dos desvios precipitados da doutrina conciliar do Vaticano II, das falsas interpretações dos documentos aprovados na assembleia dos bispos, das pseudo reformas no campo da liturgia, da moral e da piedade cristã, da invasão do pensamento marxista e protestante, do desprezo pelos sacramentos e da diminuição do papel de Maria na vida cristã. Por isso ele foi uma testemunha imensa de vigor, fidelidade e generosidade até ao fim da sua vida de amor a Cristo e à Igreja.

13/10   Um momento notável do pontificado de Paulo VI foi a publicação da Encíclica “Humanae Vitae” (1968). João Paulo II classificou-a como profética e ao longo do seu demorado pontificado não deixou de a lembrar frequentemente. É conhecida a pressão brutal que por parte de algumas comunidades católicas, sobretudo através da influencia de certos ambientes de consagrados dos Estados Unidos nos meios de comunicação tentaram forçar o papa Paulo VI  a proclamar uma versão mitigada da moral cristã. Algumas de estas vozes, também no nosso meio católico, continuam periodicamente a fazer-se ouvir, mesmo quando não vem a propósito do evento que se noticia ou comenta. São fenómenos de uma igreja que não o é já.

14/10   A existência dos “católicos não praticantes”, como sabem todos os pastores de almas, e agora veio recordado no ano sacerdotal, pela figura de S. João Maria Vianney  são um fenómeno antigo. Por várias causas, os fiéis de consciência bem formada sabem não aproximar-se da Eucaristia se não se encontram em graça. Mas, é entre os eclesiásticos que encontramos agora quem se apresenta como todo poderoso no que diz respeito a dispor daquilo que a Igreja não se sente autorizada por Cristo a fazer. Assim, vemos como se pretende dar a comunhão aos chamados divorciados (perante a lei civil) recasados (perante a lei civil), ou mesmo aos não baptizados; igualmente, já foi sugerido em caso de ausência de sacerdote, que um fiel baptizado podia presidir à Eucaristia. A estes irmãos, se ainda o são na Igreja de Cristo, só podemos acudir com a oração. Mas temos esperança que lendo os Santos Evangelhos como se lêem desde sempre na Igreja, se convertam.                  

15/10   A última, mas necessariamente não a derradeira descoberta da ficção teológica nacional, é que a hierarquia não é a hierarquia é a anarquia. Ou melhor, a Igreja não é a hierarquia (descoberta que com um pouco de atenção ao património doutrinal cristão evangélico torna óbvia). Mas disto não se conclui que o papa, bispo de Roma, não é o fundamento da autoridade de Cristo em todas as dioceses e para todos os cristãos. A colegialidade episcopal, bem o dizem os documentos do concílio, não se conforma a um modo democrático das funções da hierarquia. Bem se adivinha nestas expressões confusas a necessidade de uma  sã descentralização, mas sem dispensar a presença da autoridade  papal, para evitar que se prolonguem no tempo as situações dolorosas que alguns bispos (e os equivalentes superiores religiosos) parece não terem capacidade disciplinar para resolver. Com uma igreja democrática-descentralizada-anarquizada, ainda estaríamos hoje à espera  que o tratamento das situações de pedofilia (e outros) fossem objecto de adiamento injusto e vergonhoso.

Ecclesiam Tuam (6 a 10)

6/10     Para se viver a castidade não se deve privilegiar o saber sobre a sexualidade, mas aprofundar na racionalidade e na espiritualidade.

7/10     Quem não é católico, embora saiba a sério alguma coisa sobre a História da Igreja (será possível? saberá mesmo?) tem logicamente muita dificuldade em avaliar o passado e julgar o presente da Igreja, instituição fundada por Cristo. Do mesmo modo, desconhecem a realidade sobrenatural dos sacramentos, da vida da graça.

8/10     É frequente que os desconhecedores da História da Igreja quando se referem ao passado remoto mostrem grandes lacunas e façam acusações certamente impossíveis de demonstrar. Mas quando a sua ignorância é programada não é previsível que venham a reconhecer o contrário daquilo que afirmam ignorantemente.

9/10     Quando a propósito de acontecimentos do presente próximo, os não católicos se pronunciam sobre acontecimentos pelo menos discutíveis (quando o são, claro) que dizem respeito ao pontificado de Pio XII de modo depreciativo, parece que estão a fazer um exame da história semelhante a de quem nega o Holocausto. Como é possível que o círculo seja quadrado? Quando não existe amor à verdade, ou mais banalmente, honestidade intelectual, as mais claras evidencias tornam-se impenetráveis.

10/10   Os comunistas destestam a Pio XII porque não foi marxista; os nazis odeiam ao mesmo papa porque os condenou antes de ter condenado o comunismo; os católicos amamos a Pio XII porque foi um fiel seguidor de Cristo, um pastor que soube dar a vida pelas suas ovelhas e não só.  

Ecclesiam Tuam (1 a 5)

1/10     A diferença entre o espirito de peregrinação e o turismo religioso já foi proclamada há muitos anos: neste substitui-se a dor dos pecados pela dor dos pés.
Certamente que existem excepções.

2/10     Com o jejum procura-se o enriquecimento do espirito, enquanto que com a dieta se procura o emagrecimento do corpo. No primeiro existe uma perspectiva interior, a relação com Deus; a segunda perspectiva denuncia  a procura da imagem pessoal diante dos outros. 

3/10     Na medida em que se perde o sentido do pecado, aumentam os complexos de culpa. 

4/10  O que é verdadeiramente negação do natural é o vazio espiritual.

5/10     O culto do corpo, a capacidade de exercer atracção sexual tornou-se critério decisivo e vulgar para o próprio valor pessoal no mercado das ofertas mundanas. É isso mesmo, no mercado.