Na Tua Igreja, ó Cristo!, encontramos o valor divino do humano.

sábado, 7 de agosto de 2010

Ecclesiam Tuam (16 a 20)


16/10   Naturalmente que os católicos portugueses esperam com grande expectativa a chegada do papa Bento XVI e preparam a melhor maneira de aproveitar a sua curta presença entre  nós. A grande maioria estará presente nos lugares onde se vão desenrolar os actos de culto para lhe manifestar a sua veneração e carinho, também a sua gratidão pelo serviço petrino. Certamente, não faltarão pequenos grupos, que procurarão  manifestar, também através dos meios de comunicação sempre disponíveis para dar voz a estas minorias “de referencia”, pronunciando-se pela ausência  dos encontros com o Papa, porque no  seu entender se deviam usar os meios económicos e outros que se disponibilizaram para a viagem, para fazer outra igreja, para que eles também pudessem existir.

17/10   Sobre a tolerância de ponto para participar nas cerimónias com o a presença papal neste próximo Maio de 2010, pode ser bom que se verifique que a aproveitam os católicos. Ou seja, é possível que não estão incluídos na decisão governamental os não-católicos, os católicos não praticantes, os muçulmanos, os budistas, etc. Mas se em consciência quiserem assistir certamente que serão bem recibidos

18/10   É de supor que aqueles católicos não praticantes que desaprovam as viagens do Papa não contribuem com as suas posses para que elas se realizem. O que nos espanta é que achem desajustado que aqueles que consideram úteis essas viagens o façam. Lembra a resposta à queixa de alguns não fervorosos de Fátima que não vão lá por que aquilo é um comércio de objectos liturgicos nunca visto, dizem. Dar-se-á, porventura,  o caso que as lojas de objectos liturgicos ganhariam clientes se tivessem à porta um letreiro dizendo: “Não é obrigatório entrar”; sobretudo,” não é obrigatório comprar”?.

19/10   Para muitos observadores a crise da Igreja, ou seja, a falta de compostura cristã de muitos fiéis (hierarquia e fiéis não ordenados que são a maioria) é uma crise de Direito. Ou seja, que quem deve aplicar, com espirito pastoral, a disciplina na Igreja se ausenta, se abstém e se demite da sua função dando lugar a situações de injustiça clamorosa. A entender como boa esta presunção, coloca-se um largo campo para exame de consciência aos portadores de autoridade eclesiástica. Pode ser que um bom curso de reciclagem de direito canónico venha a contribuir para que, no futuro, não se pretenda praticar a doutrina cristã, e a caridade cristã,  à margem da virtude da justiça.

20/10   Para aqueles que não souberam distinguir um deficiente “legalismo” do necessário e pastoral uso do direito na vida da Igreja, os recentes eventos de indisciplina de alguns eclesiásticos pode ser motivador de um maior respeito pela necessidade do estudo e aplicação do direito eclesiástico. A falta de mentalidade jurídica, a falta de conhecimento do papel do direito na vida das sociedades, também na Igreja, tem dados lugar a muitos abusos no nosso tempo.